Prefeitura conscientiza população a entregar animais com Calazar

Prefeitura conscientiza população a entregar animais com Calazar




De acordo com o CCZ, somente em Araguaína, há um total de 800 famílias que se recusam a entregar os cães positivos ao órgão

A Prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria da Saúde, orienta aos moradores de Araguaína que possuem cachorros com diagnóstico positivo de Calazar que entreguem os animais aos profissionais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Em Araguaína, de acordo com o órgão, pelo menos 800 famílias se recusam a entregar os animais, cujo resultado do exame sorológico do cão deu positivo, o que representa um perigo à saúde dos membros da família e da população.

O ‘mosquito palha’ ou flebótomo (Lutzomyia Longipalpis) é o vetor do Calazar, sendo o responsável por infectar o homem e os cães. Por isso, a Prefeitura realiza a prova, contraprova a pedido e, caso seja diagnosticado como doente, volta para recolher o animal. “Quando o exame dá positivo, temos muitas dificuldades em recolher esses animais com seus proprietários. Geralmente, o dono não aceita ter que recolhermos o animal”, observa o coordenador técnico do CCZ, Admilson Modesto.

Os principais sintomas da Leishmaniose Visceral são escamação dos olhos e focinho, emagrecimento e desânimo, feridas nas orelhas, unhas grandes e queda de pelos. Outro fator importante é que o exame laboratorial no cão deve ser realizado com periodicidade anual. Já no ser humano, o diagnóstico precoce evita complicações que põem em risco a vida do paciente. Vale lembrar que os cães podem ficar infectados por meses e até anos sem apresentar os sintomas da doença.

Pesquisa

Por ser uma região endêmica da doença, Araguaína faz parte de uma pesquisa científica para observar os resultados do encoleiramento de cães para prevenção do Calazar. O projeto científico é fruto da parceria da Prefeitura com o Ministério da Saúde (MS) e dividiu a cidade em dois lados: A e B. No lado B, foram distribuídas gratuitamente as coleiras em casas de 55 bairros da região sul da cidade, onde há cerca de 7.401 cães. Já no lado A, os cerca de 7.203 cães estão sendo acompanhados sem coleiras pelas equipes do CCZ, distribuídos em casas de 58 bairros na região norte da cidade.

O objetivo final é fazer uma comparação da amostragem dos lados da cidade e observar se as coleiras deixam os cães imunes à doença. “Esperamos que o encoleiramento seja eficaz e traga um impacto significativo para a diminuição dos cães positivos em nosso município”, disse o coordenador. A distribuição das coleiras será feita por dois anos e meio e deve chegar ao fim em março de 2015.

Segundo o CCZ, para o ser humano existe tratamento, mas o tratamento do Calazar em cães não pode ser realizado, por que, além de ineficaz, não é recomendado pelo Ministério da Saúde (Portaria n° 1.426/2008). 

Números

De janeiro a setembro deste ano, o CCZ registrou em Araguaína 1.582 casos de Calazar confirmados em cães da cidade. Em humano, até agora, foram contabilizados 39 casos positivos. “Como o flebótomo se dissemina rapidamente, é necessário que a população comece a ter medidas preventivas dentro de casa, pois o mosquito precisa de umidade, matéria orgânica, áreas sombreadas e proteção do vento para sobreviver”, orientou o coordenador Admilson Modesto.

Por isso a importância das pessoas em cuidar de seus quintais, retirando as folhas, limpando as áreas embaixo das árvores frutíferas e denunciando as criações de animais, como porcos, galinhas, bois, éguas, mulas, jumentos e burros, proibidas em área urbana.

Recolhimento

As demandas também podem vir da população. Qualquer morador pode solicitar por telefone o recolhimento de cães doentes em casa. O serviço de recolhimento é gratuito e é realizado diariamente pelo CCZ. Atualmente, o Centro de Controle de Zoonoses conta com dois veículos para suprir a demanda de solicitações da população. Além disso, equipes da infraestrutura atuam em ações e mutirões contínuos de combate ao ciclo do Calazar. Mais informações podem ser obtidas através do 0800-646 7020 e do telefone (63) 3411-7040.

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