Pesquisar histórico da moto usada antes da compra evita armadilhas

Pesquisar histórico da moto usada antes da compra evita armadilhas

É possível buscar “ficha corrida” e descobrir se moto está regularizada

Cena clássica em tempos de mobilidade urbana: consumidor cansado da ineficiência do transporte público, porém sem dinheiro para comprar uma motocicleta “zero bala”. A solução passa a ser um modelo usado.

A primeira dica para encontrar a moto ideal nesse mercado é óbvia: procurar algo que caiba no bolso e esteja adequado ao tipo de uso. Mas não é só isso. Confira abaixo alguns passos importantes que é preciso seguir antes de fechar negócio, para que a ideia de ter uma companheira nova na garagem não se transforme em pesadelo. As informações foram elaboradas com a ajuda de Humberto Cury, consultor de vendas da B&G Motos.

1. Use a internet
Se você já sabe qual modelo quer comprar, pesquise nos classificados online o preço médio para sua região. Desconfie de valores muitos baixos: pode ser sinal de golpe, ou de uma moto em estado ruim de conservação.

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Marcas estranhas na região da numeração de chassi são sinal de adulteração

2. Descubra a procedência

Caso esteja adquirindo a moto em revenda, entre em contato com órgãos de defesa do consumidor para atestar sua idoneidade. Com o número do Renavam, é possível também descobrir multas, dívidas de financiamento ou mesmo se o bem está alienado. Já o restante da documentação permite saber se a situação está regular em relação a IPVA, Seguro DPVAT e licenciamento.

Outra precaução é verificar se a moto não consta do CNVR (cadastro de veículos roubados). Atenção especial à numeração do chassi: qualquer marca estranha naquela região pode significar adulteração, algo que causa muita dor de cabeça para regularizar.

3. Cuide do recibo e exija nota
Recibo de venda rasurado não é aceito pelo cartório na hora de reconhecer firma. Neste caso, o vendedor deverá pedir uma segunda via ao proprietário. Na hora do acerto, o certificado de transferência deve ser preenchido, datado e assinado, além de ter firma reconhecida.

A transferência ocorre no prazo de 30 dias, a partir da data do recibo de compra e venda. Nesse período, é obrigação do vendedor comunicar o Detran sobre a transação. Se a compra for feita em loja, exija a nota fiscal e o termo de garantia.

4. Vistoria é bem-vinda
Há várias empresas credenciadas que vistoriam o histórico do veículo a pedido de particulares e revendas. Elas confrontam as características da unidade com o padrão da fabricante, avaliam itens obrigatórios de segurança e consultam o Cadastro Nacional do Veículo (BIN), que serve como garantia de que a motocicleta possui peças originais e está em ordem para rodar.

Assim como acontece com carros, lojas multimarcas e concessionárias costumam fazer esse laudo antes da revenda. Peça uma cópia ao vendedor.

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Exija laudo de vistoria do vendedor para se certificar de que modelo consta no Cadastro Nacional do Veículo e possui peças originais

Precauções mecânicas

Além da documentação em dia, a motocicleta precisa bem mecanicamente. Com o auxílio Francisco Alves da Silva, mecânico da oficina Moto Racer, também na capital paulista, listamos outras cinco dicas para assegurar que a moto não apresente problemas pouco tempo após a compra.

1. Atenção à cor da fumaça
Com a moto em funcionamento, verifique se há algum barulho estranho no motor, vazamentos nas juntas ou se o propulsor está queimando óleo. Fumaça branca saindo do escapamento é sinal de problemas sérios.

2. Quilometragem não é tudo
Nem sempre moto que rodou pouco representa um bom negócio. Se ela ficou parada por muito tempo, sem os devidos cuidados, pode apresentar entupimentos ou trincas nas mangueiras, além de defeitos nas bombas de combustível e de água (em modelos de arrefecimento líquido). Um mecânico pode revisar as peças.

3. De olho nas “cicatrizes”
Trincas na pintura e pequenos amassados no tanque, para-lamas e rabeta podem significar que a motocicleta já sofreu acidente. Se possível, confira com a ajuda de um mecânico se há pontos de ferrugem, condições do kit de transmissão (corrente, coroa e pinhão), parte elétrica e pneus. Preste atenção também a pedaleiras, manoplas e manetes: caso estejam muito gastos, indicam alta quilometragem. Não confie somente no hodômetro.

Hodômetro: sinais de desgaste nas pedaleiras, manoplas e manetes ajudam a identificar se unidade foi mais usada do que o hodômetro diz

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4. Confie no que é original
Se o vendedor guardou manual do proprietário e chave reserva, ou mesmo manteve componentes originais como pneus, por exemplo, é sinal de que era cuidadoso.

5. Ande com a moto
Depois de consultar toda a lista acima, peça para fazer um teste com a moto na rua e confira estabilidade, comportamento das suspensões e a eficiência dos freios. Só assim você terá certeza de que está adquirindo um bem em situação regular e, acima de tudo, seguro.

(UOL/Aldo Tizzani/Da Infomoto)



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