Dia nacional de combate ao fumo: servidores da UFT contam suas experiências longe do cigarro

Dia nacional de combate ao fumo: servidores da UFT contam suas experiências longe do cigarro

O dia 29 de agosto é marcado por uma notícia nada boa para os fumantes. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, realizada no Brasil e divulgada em julho do ano passado, 200 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência do cigarro. Os servidores da UFT José Denizart e Henrique Passos Valente pararam de fumar. Eles relatam suas experiências sobre essa droga lícita, o tabaco.

Problemas respiratórios

O senhor José Denizart, 66 anos é servidor afastado da UFT por motivo de doença. Ele convive com deficiência respiratória causada por uma fibrose pulmonar. Por causa disso, é obrigado a carregar um cilindro de oxigênio por onde anda.

Denizart contou que fumou por seis a oito anos, quando largou o cigarro por conta própria, há 39 anos. “Eu comecei fumando pouco, mas quando eu parei, já estava consumindo três maços. Quando eu resolvi casar, a noiva não fumava. Quando marquei o noivado, eu também acertei que não fumaria mais e parei de fumar”, completou.

De acordo com senhor José, o cigarro era uma maneira de se socializar com outras pessoas e, que se não fumasse, não arrumaria namorada. “Na minha época, o rapaz, de 18, 19, 20 anos até mais novo já começava a namorar. O cigarro era social. Se o rapazinho não fumasse não arrumava namorada. Então todo mundo queria fumar e naquele tempo era bonito,” reforça.

Ele hoje sofre com a doença que desenvolveu devido ao tempo em que ficou exposto ao cigarro. O Senhor José precisa fazer transplante do pulmão, mas ainda não entrou na fila. Contudo, mostra-se esperançoso: “Ainda estou sendo avaliado para entrar na fila, mas creio que vou conseguir”, disse.

20 cigarros por dia

Henrique Passos Valente, 32, é servidor do setor de licitação da UFT. Ele conta que fumou 12 anos cerca de 20 cigarros por dia. “Eu comecei a fumar com 13 anos de idade, por necessidade de entrar em um grupo, de me identificar e chamar atenção” pontua.

Valente alega que pode ter começado a fumar por influências dos pais. “O meu pai era fumante, a minha mãe era fumante, meu irmão era fumante. Eu convivi com fumantes a vida toda e, para mim, fumar não era tão anormal”, conta fazendo referência ao convívio familiar.

Henrique Valente conta, ainda, que parou de fumar pela percepção dos efeitos negativos que o cigarro estava causando na vida dele. “Não aguentava mais. Me sentia cansado e também excluído do meio social por causa do cheiro do cigarro. Cheguei na adolescência com um vício. Eu queria experimentar a vida sem essas consequências”, completou.

Ele conta que, com a morte da mãe, e com a doença do pai que, segundo ele, teve infarto por três vezes, deu mais força para que ele parasse de fumar.

Perguntado sobre sua vida agora ele sorri e responde. “A minha qualidade de vida melhorou. Emagreci uns 12 quilos, pois na época que eu fumava tinha engordado. Passei a praticar esporte, coisa que eu não conseguia fazer devido ao cansaço. Meu olfato melhorou, meu paladar melhorou, meu sono, minha aparência física, eu tinha um aspecto acinzentado, sem contar na minha melhor socialização com as pessoas, comemorou.

Conselhos

O senhor José se arrepende por ter fumado. Ele deixa o conselho: “As pessoas só percebem o mal depois que o pior acontece. Hoje, quando eu vejo uma pessoa fumando na rua e chamo ela para olhar, o meu cilindro de oxigênio e peço para se possível, para parar de fumar enquanto é tempo, principalmente para os jovens, porque eles têm a vida toda pela frente”, desabafa.

“Determinação e motivação próprios e se apegar aos benefícios que a falta do cigarro traz. Fumar era bom, mas experimentar uma vida sem cigarro é muito melhor”, reforça Henrique Valente.

Especialista

Para a ex-professora da UFT e pneumologista, Jussara Martins, o tabaco ocasiona vários danos à saúde.  “O cigarro traz vários prejuízos, como no aparelho respiratório quando ele pode causar doenças inflamatórias, incluindo enfisema pulmonar. Pode causar, também, câncer de laringe, câncer de pulmão. No aparelho circulatório, ele pode causar obstruções arteriais – entupimento das artérias (veias), inclusive as coronarianas e no aparelho digestivo ele pode causar câncer de estômago”, disse.

A pneumologista explica quais os motivos que levam as pessoas a fumar, como foi o caso do senhor José e do Henrique. “As pessoas fumam em parte por uma imposição social e a outra possibilidade é uma pessoa que cresce em uma família, em um lar onde outras pessoas fumam,” completa.

Ainda de acordo com a professora Jussara, o cigarro causa dependência química, isso é devido a outras substâncias presentes nele, como a nicotina, droga que estimula o sistema adrenérgico e causa euforia.

Fumante passivo

O fumante passivo, como são conhecidas as pessoas que dividem o mesmo espaço dos fumantes, também corre risco de desenvolver as mesmas doenças de um fumante.

Para a médica, existem tratamentos para induzir as pessoas a parar de fumar. “Vai desde a abordagem comportamental até o uso de medicamentos, incluindo o tratamento com nicotina substitutiva, que é o uso de adesivos que ajudam fumantes a deixar o hábito”, afirma.

Ela avisa ainda que sempre é tempo para largar o cigarro. “Em qualquer etapa. Às vezes a gente tem um paciente com enfisema pulmonar já grave quando deixa de fumar. Os ganhos são muito maiores. Desde a redução da tosse, redução da produção de catarro, pontua.

No mundo

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 1,2 bilhão de pessoas são fumantes e que o tabagismo é o principal causador da morte evitável no mundo todo.  Anualmente, o número de mortos é de 4,9 milhões de pessoas, o que de acordo com OMS, deve aumentar para 10 milhões até 2030.

(Foto: Márcio Vieira)



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