Especialista do HDT-UFT esclarece dúvidas sobre as hepatites virais

Especialista do HDT-UFT esclarece dúvidas sobre as hepatites virais




Com intuito de celebrar o Dia Mundial do Combate às hepatites Virais, comemorado em 28 de julho, o médico especialista em gastroenterologia, Jônio Arruda Luz, esclarece sobre as peculiaridades das hepatites. O profissional é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, e compõe o corpo clínico do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Tocantins (HDT-UFT), instituição filiada à Empresa Brasileira de Serviços (Ebserh), localizada em Araguaína (TO).

O médico atua no ambulatório de hepatites do hospital desde 1997 e a partir de então realiza estudos referentes ao assunto. Sobre a relevância desta data, explica que não se pode esperar os sintomas para diagnosticar as hepatites, por isso a importância de campanhas para fazer sorologia, de modo que o paciente infectado inicie o tratamento antes da manifestação da doença, que pode agravar para cirrose e câncer de fígado.

Quais são os tipos de hepatites?

As hepatites chamadas clássicas são designadas pelas letras do alfabeto, tais como: A, B, C, D e E.

Quais as hepatites mais prevalentes?

Na região do Tocantins não tem estudos sobre a hepatite D e nem a E, deste modo é mais comum as hepatites A, B e a C. A hepatite D é mais endêmica na reunião amazônica, portanto lá tem o registro de muitos estudos de casos, tem sorologias de rotina, o que não ocorre aqui, só se houver uma situação em que implique na hipótese do paciente ter estado nesta região que indique na doença associada. É a mesma circunstancia da hepatite E, na qual possuem estudos mais relevantes de casos clínicos na região sudeste.

Que órgãos o vírus acomete?

Os vírus clássicos das hepatites se divergem em alguns aspectos epidemiológicos, mas têm características de tropismos pelo fígado, caracterizando-se pelo comprometimento leve no fígado, diferente de alguns vírus que acometem o indivíduo de forma sistêmica, como por exemplo a dengue ou a febre amarela que compromete o órgão de forma mais grave.

Quais as características da hepatite A?

Do ponto de vista epidemiológico, a hepatite A possui as características de acometer mais uma faixa etária menor, principalmente das crianças em fase escolar. A transmissão ocorre via oral, por alimentos ou água contaminada, portanto está relacionada ao saneamento básico de uma cidade ou a higiene pessoal, e não cronifica, evidenciando um prognóstico melhor por causa disso. E raramente pode acontecer de evoluir para uma forma grave chamada de hepatite fulminante, com mortalidade alta e muitas vezes necessitando de transplante, quando ocorre.

Quais as características da hepatite B?

A hepatite B atinge uma faixa etária mais adiantada, por ser uma doença sexualmente transmissível, então começa a aparecer com a idade que coincide com a atividade sexual. É uma infecção benigna na sua grande maioria, as estatísticas mostram que mais de 90% dos adultos eliminam o vírus e apenas de 5 a 7% cronificam, e dentro desse percentual, 20% podem evoluir para cirrose e de cirrose para câncer de fígado; então acaba sendo uma das etiologias mais associadas a causa do câncer de fígado, o vírus B.

Quais as características da hepatite C?

A hepatite C é aquela que antigamente era chamada de “não A, não B” porque não se sabia qual era o vírus, e excluíam a hipótese de ser hepatite A e B. Em 1989 foi clonado o vírus C e a partir de então instituída a triagem sorológica em banco de sangue em 1993 por meio de portaria ministerial no Brasil, então a partir daí já começou o desaparecimento da chamada hepatite por transfusão por causa dessa triagem que já excluí os doadores com histórico da hepatite. Portanto a hepatite C é hoje contraída sobretudo por uso de drogas injetáveis ilegais.

No entanto, há pacientes que contraíram a infecção por transfusão, pessoas que tem idades aproximadas de 50 a 60 anos. Até 2014, o tratamento eram drogas bem toxicas com efeitos colaterais ruins e com 55% de resposta favorável, mas de 2016 para cá, o tratamento além de ser via oral, é encurtado e sem efeitos colaterais, com a resposta favorável de quase 100%.  

Quais as formas de prevenção das hepatites?

Baseando-se na forma de transmissão das hepatites, são definidas as medidas de prevenção. A hepatite A é uma doença que tende a erradicação com a melhoria das condições sanitárias do Brasil e a vacina remete ao controle; a hepatite B também tem uma vacina eficaz, basta que se esforce para que a cobertura seja boa, além de medidas de sexo seguro e a C não tem vacina, mas tem o tratamento excelente hoje, que o Brasil aderiu, com grandes investimentos.
 
Testagem e Aconselhamento

O HDT-UFT oferta aconselhamento e orientações voltadas para a prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV, sífilis e hepatites B e C, bem como oferece testes rápidos para estes agravos, resguardando o sigilo, a confidencialidade e o respeito às diferenças.

O serviço está disponível no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), realizados por enfermeiros e técnicos de enfermagem que trabalham em parceria com toda a equipe multiprofissional, do Serviço de Assistência Especializada (SAE) em HIV/Aids e hepatites virais e do Laboratório de Saúde Pública de Araguaína (LSPA).

Sobre a Ebserh

Desde fevereiro de 2015, o HDT-UFT faz parte da Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
 
A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 40 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

 

(Daianni Parreira)

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