Estágios no HDT-UFT contemplam estudantes de outros países

Estágios no HDT-UFT contemplam estudantes de outros países




Hospital universitário oferta cerca de 600 vagas anuais de estágios em medicina, e outros cursos na área da saúde e tem como uma de suas características a diversidade dos alunos recebidos.

As estudantes do último período de medicina, Constância Madami Nzonzi Canda, de Angola e Gboado Emmanuella Richenel Hermine Akowanou de Benin integram a turma de internos da Universidade Federal do Tocantins (UFT), que ingressaram no estágio neste segundo semestre no Hospital de Doenças Tropicais da UFT, instituição filiada à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), situada no município de Araguaína (TO). O hospital universitário oferta atendimentos especializados em doenças infectocontagiosas, e recebe anualmente uma média de 600 estudantes de diversas áreas da saúde em estágios.

A Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) é o departamento responsável pela recepção e integração dos acadêmicos, e conforme explica o gerente, Antônio Oliveira dos Santos Júnior, a diversidade dos estudantes recebidos é um diferencial agregado ao aprendizado. “A troca de experiências entre pessoas de culturas diferentes com certeza enriquece o debate durante os estágios, agregando valor na formação profissional desse público”, disse, lembrando a passagem também de uma médica inglesa no final do ano passado na modalidade “médico visitante observador estrangeiro”, que segundo ele, foi uma experiência exitosa.

Relato e expectativa das estudantes

Constância chegou ao Brasil em outubro de 2013, por meio de um convenio de graduação/instrumento de cooperação educacional que o governo brasileiro oferece a outros países em desenvolvimento, a fim de cursar medicina na UFT, em Palmas.

No início tudo parecia muito complicado, primeira viagem internacional, estar em outro continente, outro país, e ainda longe da família, mas fui muito bem recebida aqui no Brasil, não tive muita dificuldade em relação ao relacionamento social nem quanto ao idioma, que até é o mesmo, pois apesar de ter vários dialetos, Angola tem o português como a língua oficial.

Inicialmente não foi uma escolha minha vir cursar medicina no Brasil, mas sim do estado Angolano, pensava que iria para Cuba, uma vez que é preferencial o governo selecionar alunos a cursar medicina no exterior para esse país, isso devido a medicina preventiva Cubana, o que é uma necessidade em Angola.  Fui um dos poucos casos de angolanos enviados para cursar medicina no Brasil, a princípio não tinha gostado da ideia, mas não quis perder a oportunidade e ainda em um país que fala o mesmo idioma que o meu, e também pelos bons comentários sobre a medicina ou o curso de medicina no Brasil de pessoas que cá estiveram, assim decidi vir, com auxílio do governo Angolano por meio de uma bolsa de estudos.

Quanto as minhas expectativas em relação ao estágio, é boa; na recepção que tivemos, me senti muito bem acolhida, e por ser o meu primeiro estágio durante o curso em um Hospital Universitário, penso que será um mês de muito aprendizado.

Quanto a minha intenção após a conclusão do curso, sempre tive ideia de regressar para meu país depois de concluída a formação, uma vez que a minha vinda para o Brasil foi somente para esse objetivo, mas hoje pondero a questão do meu regresso quanto ao momento certo de se fazer isso, penso em talvez fazer antes uma residência médica, para melhor poder ajudar no serviço de saúde no meu país.

Emmanuella veio ao Brasil em fevereiro 2013 também através de um programa estudantil de convênio. Visto que a língua oficial do país de origem é o francês, ao chegar no Brasil, ela morou um ano em Salvador (BA) a fim de aprender a língua portuguesa durante um semestre na UFBA e em seguida prosseguiu para Palmas (TO) para então iniciar o curso de medicina na UFT.

Meu país tem vários programas de estudos no exterior baseada no histórico escolar e na média obtida no “BACCALAURÉAT” o que seria correspondente ao ENEM daqui. Baseada no seu desempenho, tem direito a estudar no país de origem ou no exterior se preferir, sendo assim disponibilizada uma lista de países. Considerando que minha escolha sempre foi a medicina, tinha como opções Venezuela, Cuba e Brasil. Escolhi o Brasil porque era a opção mais válida para mim na lista.

Nessa reta final do curso, com o estágio no HDT-UFT espero aprender mais sobre as diversas doenças abordadas, consolidar os conhecimentos adquiridos durante o curso e colocá-los em prática, realizando assim uma troca de conhecimentos. Após conclusão do curso desejo prosseguir para residência médica em Ginecologia e Obstetrícia e posteriormente uma especialização na área oncológica ou de cirurgias minimamente invasivas.

Sobre a Rede Hospitalar Ebserh

O HDT-UFT faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde fevereiro de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

 
(Daianni Parreira)

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