UPA de Araguaína permanece em estado de alerta com alta demanda de atendimentos

UPA de Araguaína permanece em estado de alerta com alta demanda de atendimentos

Desde dezembro de 2025, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Anatólio Dias Carneiro, em Araguaína, tem recebido um volume de pacientes acima da média, quando comparado ao ano anterior. Os sintomas mais apresentados pelos pacientes que buscam atendimento são sugestivos para o quadro viral de dengue, refletindo a alta notificação da doença na cidade. 

Segundo o Dr. João Paulo Suleiman, diretor técnico da UPA de Araguaína, unidade gerida pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), a procura por atendimento nos últimos meses já superou o mesmo período do ano anterior. “Nós atendemos cerca de 3 mil pacientes a mais nos dois primeiros meses de 2026 em comparação a 2025”, complementa.

Ao todo, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, foram registrados 20.324 atendimentos, o que corresponde a 3.130 atendimentos a mais que no mesmo período do ano passado, que somaram 17.194.

O médico explica que as sazonalidades, ou seja, o período em que as mudanças ambientais favorecem o aparecimento de doenças e vetores, são esperadas ao longo do ano, porém, o primeiro semestre é sempre o mais desafiador. 

“De janeiro a julho, temos variabilidade frequente no tempo, ou seja, sol e chuva em uma mesma semana, por exemplo. Além disso, temos os comportamentos sociais que mudam: as crianças que voltam às aulas, o retorno de viagens familiares e as confraternizações, como o carnaval, entre outras variáveis, que mobilizam aglomerações”, pontua o Dr. João Paulo. 

O diretor esclarece ainda que essas variáveis favorecem o desenvolvimento e a disseminação de microrganismos que causam doenças, principalmente de ordem viral. “Este ano, a dengue tem sido a maior causa de atendimento, mesmo não sendo uma doença que se transmite de pessoa para pessoa. No ano passado, por exemplo, a maioria dos casos foi de gastroenterites e quadros gripais”, explica. 

Além disso, de acordo com levantamento interno da UPA de Araguaína, os dados também mostram que o público que mais tem buscado a unidade são os jovens entre 20 e 29 anos.

Desafios da unidade no início do ano

“No mês de fevereiro a unidade se manteve com alta demanda com relação ao mesmo período do ano passado”, conta o diretor. 

O médico reforça que, em situações de sobrecarga na capacidade de atendimento, a prioridade da unidade é para os casos de urgência e emergência, identificados com as pulseiras de cores vermelha, laranja e amarela, conforme o sistema de Classificação de Risco.

“Este paciente não pode esperar e isso quer dizer que o atendimento vai demorar o tempo que precisar para que ele seja estabilizado, o que, em geral, pode significar mais espera de quem foi classificado com as pulseiras de cores verde e azul”, pontua. 

Tempo de espera depende da gravidade

A orientação é que os pacientes com sintomas leves de dengue busquem atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Araguaína Sul, ao lado do prédio da UPA. O serviço extra oferecido pela Prefeitura de Araguaína tem o objetivo de reduzir a carga horária de atendimento.

O Dr. João Paulo Suleiman conclui dizendo que é imprescindível que, ao procurar a UPA, a população tenha clareza de que a velocidade do atendimento está diretamente relacionada ao risco de morte imediata no momento do acolhimento, que é avaliado pelos itens preconizados no protocolo internacional de Manchester, no qual é baseado o sistema de Classificação de Risco. 

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